Primum Familiae Vini: conheça as 12 famílias mais tradicionais do vinho

Primum Familiae Vini: conheça as 12 famílias mais tradicionais do vinho

Por trás de alguns dos vinhos mais prestigiados do mundo estão famílias que atravessaram gerações, guerras, crises econômicas e transformações no mercado, mantendo a produção e a administração de suas propriedades. É justamente essa herança que está no centro da Primum Familiae Vini (PFV), uma associação internacional que reúne 12 famílias produtoras de vinho da Europa.

Fundada em 1992, a PFV nasceu da iniciativa de produtores que compartilhavam uma preocupação: preservar a independência das empresas familiares em um setor cada vez mais marcado pela concentração empresarial e pela presença de grandes grupos internacionais.

O nome, em latim, significa Primeiras Famílias do Vinho. A associação reúne produtores da França, Itália, Espanha, Alemanha e Portugal, responsáveis por marcas históricas e vinhos que ajudaram a construir a reputação de algumas das principais regiões vitivinícolas europeias.

Uma associação que vai além do prestígio

O propósito da Primum Familiae Vini é promover a continuidade das empresas familiares, valorizando a transmissão de conhecimento, a preservação do patrimônio vitivinícola e a independência na tomada de decisões. O número de integrantes é limitado a 12 famílias, e a entrada de novos membros ocorre exclusivamente por convite.

Para integrar a PFV, não basta produzir vinhos reconhecidos internacionalmente. A empresa deve manter uma estrutura de propriedade e gestão familiar, demonstrar compromisso com a qualidade e compartilhar os valores defendidos pela associação.

Uma das características da PFV é a troca de experiências entre produtores que, embora atuem em regiões e mercados diferentes, enfrentam desafios semelhantes. Entre eles estão a sucessão entre gerações, as mudanças climáticas, a sustentabilidade dos vinhedos e a necessidade de conciliar tradição e inovação.

Quem são as 12 famílias da Primum Familiae Vini?

A composição da PFV reúne produtores ligados a algumas das regiões e denominações de origem mais conhecidas do mundo.

França

  • Baron Philippe de Rothschild: uma das grandes referências de Bordeaux, responsável pelo Château Mouton Rothschild, em Pauillac.
  • Domaine Clarence Dillon: grupo familiar proprietário de propriedades históricas de Bordeaux, incluindo Château Haut-Brion e Château La Mission Haut-Brion.
  • Joseph Drouhin: fundada em 1880, é uma das tradicionais casas da Borgonha, com produção em diferentes denominações da região.
  • Famille Hugel: estabelecida em Riquewihr, na Alsácia, tem uma história vitivinícola que remonta a 1639.
  • Famille Perrin: família ligada ao Château de Beaucastel, em Châteauneuf-du-Pape, uma das referências do sul do Vale do Rhône.
  • Champagne Pol Roger: fundada em 1849, é uma das tradicionais casas de Champagne que permanecem sob controle familiar.

Itália

  • Marchesi Antinori: com uma história documentada desde 1385, a família é uma das mais antigas do setor vitivinícola italiano e está associada a vinhos como Tignanello e Solaia.
  • Tenuta San Guido: propriedade da Toscana responsável pelo Sassicaia, vinho que desempenhou um papel importante na história dos chamados supertoscanos.

Espanha

  • Familia Torres: fundada em 1870, na Catalunha, é uma das empresas familiares espanholas de maior projeção internacional.
  • Tempos Vega Sicilia: grupo proprietário da histórica Vega Sicilia, na Ribera del Duero, além de outros projetos vitivinícolas espanhóis e internacionais.

Alemanha

  • Egon Müller Scharzhof: propriedade familiar do Vale do Mosela, reconhecida especialmente por seus Rieslings, incluindo os produzidos no vinhedo Scharzhofberger.

Portugal

  • Symington Family Estates: grupo familiar com raízes no comércio do Vinho do Porto desde o século XIX, responsável por marcas históricas como Graham’s, Dow’s, Warre’s e Cockburn’s e proprietária da Quinta do Bomfim, do Douro.

O desafio de manter uma vinícola na mesma família por gerações

A continuidade de uma empresa familiar não depende apenas da transmissão de propriedades ou de marcas. No setor do vinho, envolve também a preservação de vinhedos, conhecimentos técnicos, relações comerciais e uma identidade construída ao longo de décadas ou séculos.

A sucessão familiar é um dos grandes desafios dessas empresas. Cada geração precisa encontrar formas de manter a relevância econômica do negócio sem comprometer o patrimônio recebido.

Essa questão torna-se particularmente importante no setor vitivinícola, em que decisões tomadas hoje podem ter consequências durante décadas. O plantio de uma vinha, a escolha de castas, a conservação de parcelas históricas e os investimentos em adegas são exemplos de decisões que ultrapassam frequentemente uma única geração.

Na PFV, essa experiência compartilhada é considerada um dos principais valores da associação.

PFV Prize: um prêmio de 100 mil euros para empresas familiares

A atuação da Primum Familiae Vini não se limita ao universo do vinho. A associação criou o PFV Prize, uma distinção internacional destinada a reconhecer empresas familiares de outros setores que demonstram compromisso com a continuidade dos negócios, a preservação de suas tradições e a inovação.

O prêmio tem o valor de 100 mil euros e procura valorizar empresas que conseguiram atravessar gerações mantendo sua identidade e independência. A iniciativa reflete uma das principais convicções da associação: a experiência das famílias produtoras de vinho pode servir de referência para empresas familiares de diferentes atividades econômicas.

PFV Cases: coleções exclusivas que reúnem vinhos das 12 famílias

Entre as iniciativas da Primum Familiae Vini estão as PFV Cases, coleções que reúnem vinhos selecionados pelas 12 famílias integrantes da associação. Mais do que apresentar rótulos de diferentes regiões europeias, o projeto procura valorizar a raridade dos vinhos, o trabalho artesanal e a transmissão do patrimônio familiar.

Atualmente, a PFV apresenta duas coleções: a Generations Case e a Passport Case, ambas produzidas em quantidades extremamente limitadas.

Generations Case: 12 caixas por ano, a 32 mil euros cada

A PFV Generations Case é uma coleção destinada a apreciadores e colecionadores de vinhos raros. A cada ano, são produzidas apenas 12 unidades, numeradas individualmente. Cada caixa contém 12 garrafas excepcionais, uma de cada família integrante da associação. Os vinhos são escolhidos pessoalmente por representantes das respectivas famílias, que também têm suas assinaturas gravadas nas garrafas.

As caixas são produzidas artesanalmente em Cognac, na França, por Thierry Drevelle, artesão especializado na criação de peças exclusivas. Com preço de 32 mil euros, a coleção é comercializada diretamente pela associação, com disponibilidade limitada às 12 unidades produzidas anualmente.

A edição de 2026 foi desenvolvida em colaboração com a Brun de Vian-Tiran, empresa francesa vencedora do PFV Prize de 2023.

Além dos vinhos, a aquisição inclui acesso a visitas VIP às propriedades da PFV, proporcionando experiências em vinícolas históricas, algumas das quais não estão habitualmente abertas ao público.

Passport Case: uma única caixa por ano, vendida em leilão

Ainda mais exclusiva, a PFV Passport Case é produzida em uma única unidade por ano e reúne vinhos provenientes das caves particulares das 12 famílias. A seleção privilegia garrafas de grande raridade, maturidade e importância histórica, transformando cada edição em uma coleção singular.

A caixa também é concebida como uma obra de arte, produzida por Thierry Drevelle com madeiras raras e técnicas artesanais de marcenaria. Cada edição apresenta características próprias de design e acabamento.

O comprador recebe ainda o PFV Passport, um passaporte que permite visitar as 12 propriedades da associação em condições especiais. A experiência inclui encontros privados, almoços ou jantares com gestores ou integrantes das famílias produtoras, oferecendo acesso à história e à filosofia de algumas das propriedades mais prestigiadas do mundo do vinho.

Diferentemente da Generations Case, a Passport Case não tem preço fixo. A peça é oferecida em leilão, e os recursos arrecadados são destinados a causas beneficentes.

Tradição e independência em um mercado em transformação

A existência da Primum Familiae Vini também ajuda a compreender uma particularidade do setor vitivinícola europeu. Enquanto parte da indústria de bebidas é dominada por grandes grupos empresariais, algumas das propriedades mais reconhecidas do mundo do vinho continuam sob controle das famílias que construíram sua reputação.

Ao reunir essas 12 famílias, a Primum Familiae Vini procura preservar não apenas empresas e marcas, mas também uma forma de compreender o vinho como patrimônio cultural, econômico e familiar. Em um setor no qual a história de uma garrafa frequentemente começa muito antes de sua produção, a PFV representa o compromisso de transmitir esse legado às próximas gerações.

Site oficial: www.pfv.org