Grupo Carrís planeja vender 5 mi de garrafas nos EUA até 2031

O empresário espanhol Juan Viñas, fundador e presidente do Grupo Carrís, com negócios nos setores da hotelaria e viticultura em Portugal e Espanha, prepara um plano de expansão no mercado norte-americano. O objetivo é tornar-se o maior importador de vinhos portugueses nos Estados Unidos até 2031, com a meta de comercializar cinco milhões de garrafas anuais.
O grupo já comercializa os seus vinhos nos Estados Unidos, sobretudo em restaurantes portugueses de Miami, na Flórida. A nova estratégia prevê ampliar a distribuição, inicialmente pela Costa Leste americana, aproveitando as vantagens logísticas do transporte entre Portugal e a América do Norte. A médio prazo, a empresa também pretende estender a operação ao Caribe.
Para sustentar o crescimento, o Grupo Carrís já dispõe de uma importadora própria, com licença federal americana, e de uma distribuidora com atuação na Flórida e no Texas. A intenção é controlar diferentes etapas da cadeia comercial, reduzindo a dependência de intermediários e os custos de distribuição.
As metas comerciais começam com 200 mil garrafas em 2027, avançam para 400 mil em 2028 e chegam a um milhão a partir do terceiro ano, até atingir cinco milhões de garrafas anuais em 2031. O volume poderá incluir vinhos de outros produtores portugueses, além dos rótulos do próprio grupo.
Vinhos desenvolvidos para o consumidor americano
A estratégia foi apresentada durante um almoço com a imprensa, no qual Juan Viñas também revelou os planos de expansão da Carrís Wines, linha criada exclusivamente para o mercado americano. O portfólio foi estruturado para diferentes segmentos de consumo, com preços entre 15 e 250 dólares.
Na categoria de entrada estão um espumante brut e os vinhos Socalcos Carris Petit Branco e Tinto, comercializados por 15 dólares, enquanto a linha Socalcos Carris Colheita Branco e Tinto, destinada à restauração, terá preços de 25 dólares. Já os vinhos premium incluem um Touriga Nacional, de 75 dólares, e o Cetennnial, de 250 dólares.
Os vinhos foram desenvolvidos a partir de castas autóctones portuguesas, tendo em conta as preferências de consumo do mercado americano. À frente da enologia está Jorge Alves, um dos mais premiados enólogos portugueses e especialista no Douro, responsável por criar vinhos que preservam a identidade das castas nacionais, mas apresentam um perfil adaptado ao paladar dos consumidores norte-americanos.
Entre as apostas está o espumante elaborado pelo método Charmat, com as uvas Arinto e Fernão Pires, desenvolvido para competir com os espumantes de Napa Valley e com o Prosecco, categoria de grande presença nos Estados Unidos. Segundo Viñas, o método permite aumentar a escala de produção e oferecer um preço mais competitivo em comparação com o método tradicional. O empresário considera que o espumante português apresenta qualidade superior à dos concorrentes.

Outro é o Socalcos da Carrís Petit Branco, desenvolvido para disputar espaço com os vinhos da variedade Pinot Grigio, populares no mercado americano. Com maior corpo e intensidade aromática, segundo a equipa responsável pelo projeto, o vinho será direcionado às grandes superfícies comerciais e ao serviço de vinho a copo em restaurantes.
A aposta neste canal está relacionada com a popularidade do consumo de vinho a copo nos Estados Unidos. Para Viñas, é fundamental oferecer um produto com uma boa relação entre qualidade e preço, permitindo que os restaurantes comercializem o vinho por dose sem comprometer a rentabilidade da operação.
Na linha premium, o Colheita Branco apresenta um perfil próximo ao dos Chardonnays californianos, com presença marcante da madeira. No entanto, as notas de baunilha dão lugar a aromas resinosos, resultado do trabalho com carvalho francês. Já os tintos destacam-se pela elegância e frescor,alinhados à crescente procura do mercado por vinhos mais leves, equilibrados e fáceis de beber.
“Quando um apreciador pede um vinho do Douro fora de Portugal, não tem rojões nem moelas para acompanhar. O vinho vai a zero e precisa de ser bebido a zero. Tivemos essa realidade em mente ao desenvolver os nossos vinhos.” explica o enólogo Jorge Alves, destacando a importância de criar vinhos que sejam fáceis de beber e de agradar.
Carrís Wines: uma estratégia de fora para dentro
A aposta no mercado americano começou a ser desenhada há cerca de três anos, quando o Grupo Carrís decidiu alterar a estratégia de comercialização dos seus vinhos, até então vendidos principalmente nos hotéis da empresa.
Uma das particularidades do projeto é a decisão de consolidar a marca nos Estados Unidos antes de comercializar os mesmos vinhos em Portugal. Segundo Viñas, a escolha está relacionada com as diferenças de preços entre os dois mercados.
O empresário exemplifica que um vinho vendido por três euros em Portugal pode chegar aos Estados Unidos por 15 dólares, devido aos custos de importação, tributação e distribuição. Para evitar que essa diferença prejudique a perceção de valor da marca, os vinhos da Carrís Wines não estarão disponíveis no mercado português, nem mesmo nos hotéis do grupo.
A intenção é estabelecer primeiro o posicionamento comercial nos Estados Unidos e, posteriormente, introduzir os produtos em Portugal com o valor construído internacionalmente.
Do Douro para o mercado americano
A ligação de Juan Viñas à produção de vinhos começou em 2008, quando adquiriu a Quinta da Balsa, em Tabuaço, no Douro, com 15 hectares de vinha. Encantado pela Touriga Nacional, convidou o enólogo Jorge Alves para desenvolver o projeto vitivinícola.
“Escolhi o Porto por ser a cidade mais bonita do mundo e os vinhos do Douro porque, para mim, são os melhores vinhos do mundo”, afirmou.

Atualmente, a produção é realizada nas instalações da Quinta da Carregosa, com uma equipa de enologia formada por Jorge Alves e Fernando Costa. Este último, representante da quinta geração da propriedade, gere uma rede de aproximadamente 140 pequenos viticultores do Douro, que fornecem uvas para os vinhos do grupo.
A opção por não investir numa adega própria permite direcionar recursos para o desenvolvimento dos produtos, marketing e expansão comercial, enquanto a compra de uvas contribui para o escoamento da produção regional.
Para Viñas, o mercado americano ainda oferece um grande potencial para os vinhos portugueses, sobretudo para além do Vinho do Porto, que considera ser a principal referência do país entre os consumidores norte-americanos. “Tenho a certeza de que o vinho português vai estourar nos Estados Unidos”, afirma.
O Reserva85 acompanhou a apresentação dos vinhos e do plano de expansão do Grupo Carrís durante um almoço com a imprensa, a convite da empresa.





